Sobre

O que somos?

O finisterra_lab é o Laboratório de Estudos e Pesquisas sobre os Impérios Ibéricos na Época Moderna do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP).

Qual a nossa proposta?

O “longo século XVI”, como o nomeou Fernand Braudel, foi o período marcado pela intensificação da expansão europeia, particularmente dos reinos ibéricos, conectando povos, mercadorias e ecossistemas até então separados pelos mares, inaugurando a modernidade e a primeira mundialização. Os fatores que atuaram nesse processo e as transformações resultantes dele foram determinantes para a emergência de uma enorme de gama de novas dinâmicas entre as partes do globo, dentre elas, novas teorias e práticas políticas, experiências econômicas, relações sociais e circuitos de comunicação. O período que tem sido denominado Primeira Modernidade, ou Alta Idade Moderna, em outros tempos entendido como “transição” da Idade Média para a Época Moderna, engendrou um mundo diferente e marcado por uma nova complexidade. Nele as conexões entre as diversas partes do mundo foram criadas e intensificadas, e uma ordem global começou a ser constituída. Muitos foram os fatores que determinaram essas mudanças, e entender suas estruturas e dinâmicas tem sido a tarefa de um grupo grande de pesquisadores há décadas.

Após cerca de dois séculos de intensificação da circulação e incremento da produção em todos os níveis (material, humano, intelectual, sensível), confrontos e embates profundos pelo controle do poder e da autoridade no Ocidente, dissensões e cisões no corpo da Europa cristã, uma série de descompassos começam a se manifestar já nas últimas décadas do século XVI. Nesse sentido, o século XVII, entendido no seu tempo como “decadência”, e pela historiografia como “crise”, apresenta um grande conjunto de questões e desafios a serem enfrentados. Nesse sentido, investigar e entender o século XVII nos permite responder indagações das mais diversas ordens.

Esta proposta de Laboratório foi concebida a partir de uma série de seminários organizados pelo Grupo de Pesquisas CNPq A Monarquia Hispânica e o Império dos Filipes (1580-1640), formado no ano de 2014 e liderado pelos professores José Carlos Vilardaga (UNIFESP) e Rodrigo Bonciani (UNILA), em parceria com o Grupo de Estudos de História Ibérica Moderna (GEHIM-USP), atuante desde 2007 e coordenado pela professora Ana Paula Torres Megiani.

Entre 2015 e 2018 foram realizados seis Encontros de Pesquisa sobre a Monarquia Hispânica, com a participação de pesquisadores brasileiros e estrangeiros que dedicam suas pesquisas ao período. Além dos seminários internos, os integrantes dos grupos participaram em colóquios nacionais e internacionais, no Brasil e no exterior, debatendo diferentes pontos de vista na investigação, fortalecendo os aspectos comuns das pesquisas em andamento, bem como os debates sobre as especificidades de cada uma.

A partir desses encontros, decidimos adensar o projeto das equipes integradas, buscando maior institucionalização por meio da criação de um Laboratório de Estudos e Pesquisas sobre os Impérios Ibéricos na época Moderna, sediado no Departamento de História da FFLCH-USP, e desse modo ampliar a interlocução, criar meios para agregar novos pesquisadores interessados, estudantes e docentes de outras instituições, bem como construir projetos que possam ser financiados por agências de fomento e convênios com instituições nacionais e estrangeiras.